1- Introdução
Primeiramente, antes de iniciarmos a parte do projeto básico, precisamos entender o atual estágio da tecnologia dos componentes de campo. Numa analogia com a telefonia, esse equipamento à esquerda, que muitos dos leitores mais jovens nunca devem ter operado, era completamente analógico. Através de curtos-circuitos na linha de transmissão, seus sinais eram decodificados por uma central telefônica eletromecânica que se conectava a outro aparelho e assim, se estabelecia a comunicação por voz.
Esse aparelho à direita, já muito popular hoje em dia, é totalmente digital. Na verdade, ele é um computador que se comunica sem fio com uma central telefônica que é formada por uma rede de computadores; ele é identificado por um endereço IP, mas nós, simples usuários, só conhecemos o seu endereço numérico. Esse aparelho serve para múltiplas funções, algumas delas inimagináveis há alguns anos atrás, até pelo fato de serem concentradas num único aparelho, tais como: agenda eletrônica (nessa função, praticamente matou aquelas pequenas agendas eletrônicas individuais), telefone e despertador (nessa função, está ameaçando cada vez mais esse mercado), câmera fotográfica, filmadora, calculadora, games, gravador de áudio etc. Aliás, podemos até telefonar com ele. Apesar de esse aparelho desempenhar todas essas funções, nós o identificamos pelo simples nome de “telefone celular”, uma definição muito pobre para esse aparelho multifuncional.
Agora, prezado leitor, por que começamos um artigo sobre automação com o assunto “telefonia”? Pelo mesmo motivo pelo qual quando nós vamos iniciar um projeto de automação, precisamos observar um componente de campo, que pode ser um transmissor, um posicionador, um inversor de freqüência ou qualquer outro componente, de uma maneira bem diferente de como observávamos antigamente. Hoje em dia, a maioria desses componentes se comporta como verdadeiros computadores; eles podem trabalhar em redes de computadores gerenciados por um servidor de rede que ainda chamamos também de uma maneira bem simplista: “sistema de controle de processos”. Hoje em dia, os mesmos cuidados que precisam ser tomados num projeto de telecomunicações também precisam ser tomados num projeto de automação, pois a realidade das tecnologias está no mesmo patamar.
Por exemplo: os cuidados com a comunicação em si – confiabilidade e disponibilidade. No passado, tínhamos os projetos realizados no conceito das ligações ponto-a-ponto, isto é, um par de fios para conectar cada um dos componentes de campo. Hoje em dia, estamos projetando redes de comunicação digital, que podem interligar dezenas de componentes. No passado, a perda da comunicação analógica de uma par de fios era ruim, mas, em muitos casos, não era catastrófica. Já hoje em dia, com as redes, a perda de um segmento de rede pode significar levar a unidade a uma parada inesperada.
Nos projetos, também precisamos levar em conta o surgimento de outra preocupação: os problemas gerados pela perturbação de outro agente, que é o ruído, pois, como as comunicações são totalmente digitais, a potência dos ruídos que são encontrados e até mesmo gerados numa planta pode prejudicar demais as comunicações das diversas redes de comunicação utilizadas para o controle e a monitoração dos processos.
2- Os efeitos da perda de comunicação em projetos com o protocolo HART
Vamos analisar uma coisa que acontece em projetos com uma rede que é híbrida, isto é, que manteve o sinal de 4-20 mA e incorporou a parte digital de maneira superposta, que é o protocolo HART. Cremos que muitos de nós já nos deparamos com a seguinte situação em projetos com essa tecnologia: quando as pessoas da instrumentação precisam modificar algum parâmetro de configuração, elas precisam ir até bem perto do componente lá no campo, pois, nesses casos, não se consegue obter a comunicação desde a sala de controle.
Entretanto, como o sinal que é utilizado no sistema de controle é de 4-20 mA, isso não gera grandes problemas ao controle. Essa convivência com o problema é ruim, mas totalmente “transparente” para a principal utilização do componente de campo. É claro que, já nesse caso, temos uma subutilização do componente de campo, pois sua condição de instrumento inteligente e que pode fornecer múltiplas informações ao sistema de controle e aos softwares de gerenciamento de ativos passa a não ser utilizada.
3- Os efeitos da perda de comunicação em projetos com os protocolos totalmente digitais
Agora, nos projetos com protocolos totalmente digitais, tais como Foundation Fieldbus, Device Net e Profibus DP/PA, essa condição de convivência com os ruídos industriais é totalmente incompatível e, em alguns casos, pode causar a parada da unidade.
Costumamos dizer, nessa fase do projeto, que precisamos de outro tipo de capacitação, ainda mais abrangente, do que somente engenheiros e projetistas de automação. Agora, precisamos dominar as técnicas de projeto de redes de comunicação digital e de redes de comunicação entre computadores, pois não se trata somente do caso do ruído. A complexidade vai aumentando passo-a-passo. Agora, temos que analisar o caso do tráfego das comunicações nos segmentos das redes. Não podemos pensar somente na velocidade máxima da troca de dados, e sim na velocidade efetiva em que isso vai acontecer na realidade. Porém, voltando à situação a ser enfrentada com os ruídos numa unidade industrial, agora precisamos ter outros cuidados que, no passado, eram relegados a outro plano.
4- Os protocolos digitais de comunicação de campo são robustos?
Em geral, nas etapas iniciais de um projeto, ainda quando se está discutindo a utilização ou não de protocolos digitais de comunicação, essa pergunta vem à tona: os protocolos digitais de comunicação de campo são robustos? A resposta precisa ser feita levando-se em conta o fato de que, hoje em dia, todos os protocolos digitais que podemos utilizar passaram por fases geralmente exaustivas de testes de campo durante suas etapas de normalizações, em que as situações foram simuladas para representar as condições de trabalho no mundo real de nossas plantas. Vamos tomar como exemplos os trabalhos dos diversos comitês de padronização envolvidos com o protocolo digital Foundation Fieldbus. Talvez, tenha passado despercebido que esses trabalhos começaram em 1990, com a criação do Comitê ISA SP50, e que só depois de 2 anos, isto é, em 1992, essa Norma da ISA foi aceita pelo IEC – Comissão de Eletrotécnica Internacional. Nesse ano, só foi padronizado o nível físico do protocolo, isto é, nos assuntos relacionados aos projetos, estamos falando de: tipo de fiação, de alimentação e de taxa de transferência; aterramento, topologia, carga de barramentos, tempos de varredura dos segmentos etc.
Somente 8 anos depois, no ano 2000, foram concluídos os trabalhos de normalização dos níveis de software do protocolo. Portanto, estamos falando de 8 longos anos de testes de campo que acompanharam o desenvolvimento da parte teórica da comunicação do protocolo, Assim sendo, os diversos fatores, tanto de hardware quanto de software, certamente foram observados, mas ainda restou uma pergunta: por que temos notícias de tantos problemas com os aspectos de comunicação com os projetos com protocolos digitais de comunicação?
Aliás, agora vamos fazer a pergunta que é o tema desse artigo: qual a fonte de 94% dos problemas em projetos com protocolos digitais de comunicação? Nesse caso, estamos incluindo todos os protocolos mais utilizados: Profibus DP/PA, Foundation Fieldbus, Device Net, ASI-Bus. Poderíamos pensar naqueles pontos que, em geral, são cercados das maiores preocupações pelos engenheiros e projetistas envolvidos nos projetos. Seriam os sistemas de controle? Seriam os componentes de campo? Não, caro leitor. As pesquisas mostraram que 94% dos problemas pós-partida estão concentrados nas conexões no campo. Estamos falando de cabos escolhidos de maneira errada, conexões de baixa qualidade, entrada de água, aterramento dos shields, encaminhamento dos cabos etc.
Agora que sabemos qual é a fonte dos problemas, vamos analisar alguns pontos de possíveis problemas e indicar as condições de contorno para evitar essas falhas. Vamos começar pelos pontos de atenção que todos nós devemos ter no desenvolvimento dos projetos com protocolos digitais de comunicação.
5- O foco quase que único das especificações técnicas de projetos com comunicação digital (ET´s)
Levando-se em conta os projetos desenvolvidos desde 1994, quando o Brasil teve o privilégio de ter a primeira planta de processo com o controle e a monitoração sendo realizados com o protocolo Foundation Fieldbus, que foi a Planta do Deten, localizada no Pólo de Camaçari, na Bahia, um projeto implementado pela empresa brasileira Smar. Hoje em dia (2008), segundo dados da própria Fieldbus Foundation, temos, no mundo inteiro, mais de 10.000 projetos com esse protocolo. Podemos dizer que quase todas as preocupações nesses projetos também são temas importantes, mas não devem ser os únicos, tais como:
5.1 - Quantidade de blocos funcionais Fieldbus
Em geral, os usuários finais e os projetistas se preocupam em ter a maior quantidade de blocos funcionais nos instrumentos de campo. Não podemos dizer que essa preocupação não é importante, mas gostaríamos de abrir uma discussão: não seria mais importante a união desses usuários finais na bandeira para termos a condição de instanciação realmente implementada por todos os fornecedores de instrumentos de campo? Primeiramente, vamos entender que a função de instanciação que alguns fabricantes já disponibilizam, ainda timidamente, é a condição de, durante a fase de configuração do projeto, podermos fazer o “download” dos blocos necessários para desenvolver a aplicação, pois a quantidade de blocos fixos que são fornecidos com os instrumentos não garante que, durante a configuração, não vamos precisar de um bloco que não foi previsto na fase de especificação do instrumento.
Uma vez padronizada, essa condição de instanciação é a característica que resolveria o problema que hoje temos de, mesmo tendo a preocupação com a exigência de uma grande quantidade de blocos, não é uma garantia de que precisaremos utilizar os blocos localizados no sistema de controle para realizar as configurações.
5.2 – Interoperabilidade
Aqui, temos outro ponto de grande e correta preocupação dos projetistas de sistemas de controle com protocolos digitais. Nesse caso, a evolução da tecnologia dos instrumentos de campo não foi seguida pela evolução dos “drivers” de comunicação. A resposta das fundações Fieldbus, Hart e Profibus foi muito lenta e assoberbada ao admitir que novos “drivers” precisavam ser desenvolvidos. Estamos falando do surgimento dos drivers FDT/DTM e depois, da reação com o EDDL; agora, estamos numa fase intermediária, que podemos chamar de “sopa de letras”: precisamos nos preocupar com as especificações, com a solicitação de instrumentos e sistemas e com as funcionalidades dos drivers DD, FDT/DTM e EDDL, tudo isso até o fim de 2009 (previsão otimista), quando teremos a convergência desses dois drivers para um único, que, a princípio, está sendo chamado de FDI.
Na nossa opinião, os usuários deveriam pressionar essas Fundações para que elas agilizassem o desenvolvimento dessa convergência de drivers, pois os benefícios para a interoperabilidade serão muito grandes.
6- A pouca preocupação com o projeto básico: detalhamento, montagem e certificação dos barramentos
6.1 - Desenho da arquitetura simples de FF
Nessa parte do projeto, devemos levar em conta a busca pela simplicidade das soluções. Devemos evitar os sistemas com gateways externos aos sistemas de controle para possibilitarem a comunicação com os segmentos dos diversos protocolos. Sugerimos que os módulos de comunicação sejam sempre incorporados diretamente aos sistemas de controle. Também devemos levar em conta essa fase nos softwares de gerenciamento de ativos e também nos softwares de análise da comunicação dos barramentos, que são itens geralmente deixados erradamente para uma inclusão posterior.
Em geral, também não é feita uma análise cuidadosa sobre a questão do número e da distribuição dos instrumentos e da quantidade de malhas de controle fechadas nos barramentos. Poucos projetistas sabem que a própria Fieldbus Foundation, nos seus “guidelines”, indica maneiras de fazer essas divisões, pois acabamos tendo projetos, em geral, com duas situações extremas: ou barramentos muito carregados, ou então com segmentos praticamente vazios.
6.2 - Tipos de cabos (uso interno e externo)
Em geral, esse item também é pouco estudado, pois os fabricantes têm modelos para utilização em ambiente fechados, cuja construção do cabo é bem simples, tal como podemos ver na figura acima, na qual, além dos dois fios condutores, que são isolados, temos um shield bem simples, um fio de dreno para facilitar o aterramento e uma isolação, chamada “capa externa”, geralmente de PVC, para uma cobertura geral.
Para uso em ambientes abertos e, em geral, mais agressivos, os fabricantes possuem modelos como o do desenho acima, que, além de possuírem os dois fios condutores isolados, possuem uma primeira capa de PVC, um shield bem mais robusto, um fio de dreno para facilitar o aterramento e uma capa externa, também de PVC, para a cobertura geral.
Portanto, podemos facilmente concluir o porquê da preocupação da escolha do tipo de cabo mais indicado para cada tipo de instalação – interna ou externa.
6.3 - Aterramento
Esse é um dos mais importantes aspectos de um projeto. Ele deve ser seguido sem concessões, pois agora, com o uso dos protocolos digitais de comunicação, não podemos ter uma comunicação prejudicada pela entrada de ruídos, colocando em risco a operação da planta.
Podemos resumir o quesito “aterramento” com o conceito de que o sistema de terra deve ser separado para os sistemas de energia e de comunicação, mas interligados para a garantia da proteção de pessoas com a situação de sistemas equipotenciais.
6.4 - Escolha das Fontes de Alimentação Fieldbus
As Fontes de Alimentação Fieldbus têm como função principal realizar a alimentação do segmento de rede. Através de um circuito com impedância de saída correta para uso em Fieldbus, esse equipamento possibilita realizar a alimentação dos dispositivos de campo e das caixas de distribuição conectadas. Esse componente deverá ser de excelente qualidade, pois pode interferir diretamente no sinal de comunicação do Fieldbus. É necessário usar fontes balanceadas, de preferência construídas com componentes passivos, gerando maior eficiência e dissipação bem menor. As Fontes de Alimentação Fieldbus podem ainda possuir módulos redundantes, o que aumenta a disponibilidade dos segmentos. Filtros de Supressão de Ressonância e CrossTalk também são de extrema importância para a melhoria da qualidade da camada física do Fieldbus.
6.5 - Caixas de derivação com proteção eletrônica contra curto
Seguindo a mesma linha de pensamento utilizada no início deste artigo, quando falávamos da tecnologia empregada na telefonia, sua evolução ao longo do tempo e a comparamos com os projetos de automação. Nesse tópico, façamos uma analogia da importância da proteção eletrônica nas caixas de derivação com as atuais centrais de informação, onde há inúmeros computadores interligados a uma rede de aparelhos celulares.
Essas centrais devem garantir, de forma ininterrupta, a comunicação entre eles e, conseqüentemente, entre as pessoas, isto é, caso um indivíduo faça mal uso de seu aparelho celular, ou mesmo se, por alguma falha de dispositivo, a comunicação com a central for interrompida, todos os outros usuários conectados a essa mesma estação não deverão ser afetados, não é mesmo?
Em suma, essa é a principal função das caixas de junção com proteção eletrônica contra curto (protetores de segmento) numa rede Fieldbus: impedir que os outros participantes sejam afetados em caso de falhas individuais nos dispositivos de campo.
Os módulos de derivação Fieldbus com proteção eletrônica podem ser montados em diversos tipos de caixas, visando atender ao grau de proteção IP necessário ao ambiente de instalação da mesma.
Essas caixas devem seguir o mesmo padrão das tradicionais caixas de junção, isto é, devem incluir espaço suficiente para acomodar a entrada do tronco principal (trunk) e o número de derivações (spurs) desejado.
Dependendo dos diferentes projetos, ela pode ser diferenciada para instalações em área segura, Zona 2 (Classe I, Div2), e Zona 1 (Classe I, DivI).
6.5.1 – Caixas de Junção para aplicações em Área Segura e/ou Zona 2 com Protetores de sobrecorrente no segmento ( spur).
- 4, 6, 8, 10 ou 12 conexões para os spurs;
- Resistor de terminação integrado e selecionável;
- Bornes dedicados ao aterramento individual do shield do trunk e do spur;
- A corrente de curto-circuito deve ser limitada a 60mA por spur;
- Proteção integrada contra picos de alta tensão;
6.5.2 – Caixas de Junção para aplicações em Zona 1 – Barreiras de Campo.
- 4 conexões de saída;
- Isolação galvânica entre trunk e spurs;
- Resistor de terminação integrado e selecionável;
- As saídas deverão ser certificadas de acordo
com os padrões FISCO ou Entidade;
- A corrente de curto-circuito deve ser limitada a 50mA por spur;
6.6 - Projetos em áreas classificadas
Novas soluções para aplicações Fieldbus em áreas classificadas estão baseadas no conceito HPT – High Power Trunk. Em contraste com os conceitos FISCO/Entidade, o conceito do HPT não limita a energia no tronco Fieldbus aos níveis de segurança intrínseca. Isso permite ao usuário conectar o máximo número de dispositivos a um segmento, inclusive utilizando o comprimento máximo para o cabo-tronco. Dependendo da aplicação, a limitação de energia é realizada no próprio campo, dentro da caixa de junção. Os usuários de Fieldbus normalmente não realizam a troca a quente no cabo-tronco, pois pode ocorrer a perda de todo o segmento devido à presença de um curto-circuito nesse mesmo cabo-tronco. Não limitando a energia no tronco, o conceito HPT oferece as mesmas vantagens das aplicações de uso geral dentro da área classificada. Os valores típicos para o conceito de Tronco de Alta Potência são 30V @ 500mA. Produtos como Fieldbarriers tornam o conceito HPT fácil de aplicar até mesmo em áreas classificadas. A Fieldbarrier, por exemplo, pode ser utilizada em áreas classificadas como Classe I, Divisão 1. Ela disponibiliza segurança intrínseca, proteção contra curto-circuito e a conexão de dispositivos FISCO e Entidade. As conexões da Fieldbarrier são isoladas galvanicamente das conexões de spur.
6.7 - Cuidado com a capacitação das montadoras
A preocupação com um projeto bem detalhado, visando seguir os padrões internacionais de especificação, muitas vezes acaba deixando para segundo plano o ponto-chave que permite a realização de um projeto bem-sucedido: a qualidade dos serviços de montagem e instalação.
Podemos esclarecer alguns conceitos básicos nesse artigo, mas é imprescindível a escolha de uma montadora qualificada para a execução desses trabalhos.
A seguir, destacamos alguns exemplos encontrados em instalações de projetos com Fieldbus e esperamos esclarecer as dúvidas ainda pertinentes a essas instalações e fornecer algumas dicas de como evitar problemas, principalmente após a partida das plantas.
Temos exemplos com a saída dos cabos de uma caixa de derivação sem nenhuma proteção mecânica, podendo ocasionar um rompimento do cabo que interliga os instrumentos, prensa-cabo mal dimensionada e a saída da conexão totalmente desprotegida. Dispositivo sujeito a infiltração, corrosão das conexões e, conseqüentemente, à perda da comunicação.
O correto é sempre aplicar prensa-cabos de acordo com a bitola, conforme indicado por norma, e para aqueles que não serão utilizados, devemos utilizar plugs adequados para vedação.
Encaminhamento do cabo até o instrumento feito de forma inadequada. Instrumento totalmente suscetível a infiltração através do cabo de interligação.
Recomenda-se uma folga no comprimento do cabo até o instrumento para que seja possível criar uma catenária na entrada, impedindo que líquidos sejam levados ao interior do instrumento.
6.8 - Importância da certificação dos barramentos
Você pode ser influenciado a acreditar que o diagnóstico da camada física pode ser realizado simplesmente através de um voltímetro e um analisador de amplitude/ruído conectado ao tronco com uma característica de alarme. Entretanto, experiências e pesquisas extensivas têm mostrado que quanto mais tipos de medição forem realizados, melhor será a detecção de um grande número de falhas envolvidas. Por exemplo: mudanças dos níveis de ruído ou instabilidade de sinal e medições de jitter são utilizadas para detectar variaçõe causadas por tais características envolvidas. Além disso, uma grande quantidade de funções de diagnóstico serão conduzidas a melhores estruturas de relatório e a revelar erros potenciais que podem se manifestar durante a operação da planta.
Para qualquer sistema, falhas que ocasionam paradas podem afetar a produção, a qualidade do produto e, em raras ocasiões, causar uma catástrofe ambiental ou no mínimo uma situação insegura. Portanto, avisos precoces de falhas são a essência por trás da manutenção pró-ativa e da eliminação de falhas; para o Fieldbus, isso é uma tarefa extremamente importante para implementar, haja vista o número de dispositivos e “loops” de controle suportados no segmento, e uma das que podem ser feitas com baixo custo. O primeiro objetivo do sistema de diagnóstico é monitorar e anunciar pequenas mudanças ou características de uma falha, antes que ela se torne destrutiva, para então ser reparada ou retificada. Esse objetivo também vai incluir a conformidade da camada física com as normas apropriadas.
Aplicando o diagnóstico da camada física online, combinado com capacidades de diagnóstico existentes, vai disponibilizar uma indicação de muitas falhas. Estando online, e em cada segmento, isso significa que uma falha (falha intermitente) podem ser verificadas imediatamente a qualquer momento e em qualquer segmento ou em qualquer parte do segmento. O tempo de ação é importante, pois muitas falhas (de propagação, por exemplo) podem ser aleatórias e/ou intermitentes, ou associadas a um evento externo. Sistemas de diagnóstico individuais não irão garantir alta confiabilidade. Existem falhas óbvias que podem ocorrer, em que avisos de diagnósticos serão parte do uso preditivo. Por exemplo: um curto direto do cabo-tronco ou uma abertura de circuito causada por alguém em algum instrumento. Enquanto esses tipos de falhas são indesejados, há medições de proteção que podem colocar a rede livre delas. Com considerações cautelosas quanto aos pontos comuns de falhas (cabo-tronco e terminais, terminadores, fontes de alimentação, proteção mecânica e/ou eletrônica) podem ser aplicadas a essas áreas para melhorar o efeito e, portanto, reduzir a probabilidade desse tipo de falha para um nível baixo, ou até mesmo eliminar o risco conjunto. A outra vantagem significativa com equipamentos online é que quando não há tempo para monitoramento, detecção de falhas, teste ou validação, é possível levantar registros, referir-se a diagramas de fiação, rastrear pontos terminais através de testes de conexão ou equipamentos de diagnóstico e modificar o cabeamento em painéis da sala de controle ou em cabos de passagem. É necessário ir a campo e abrir caixas de junção até que seja detectado um ponto específico para manutenção e reparo. Portanto, o potencial de introdução de erros é minimizado e o tempo para detecção de erros é reduzido drasticamente. Durante a construção, o comissionamento e a manutenção operacional, registros e provas de teste/verificação asseguram testes completos, verificação da qualidade e testes de consistência, bem como a verificação de conformidade e continuidade da conformidade com os padrões Fieldbus. Esse procedimento deve ser parte integrante do comissionamento e os relatórios devem ser individuais para cada barramento. A entrega do relatório é o único documento que, através dos seus dados e da forma de onda, poderá realmente garantir a confiabilidade da comunicação; também será o documento de partida de qualquer análise de problemas, caso ocorram após a partida.
6.9 - A necessidade da inclusão nos projetos dos softwares de diagnóstico da comunicação nos barramentos
Também analisando a evolução dos diagnósticos, estamos agora na era dos gerenciadores de ativos integrados aos softwares de diagnóstico da comunicação nos barramentos. Essa integração complementa as condições para as pessoas dos setores de manutenção procurarem as causas de possíveis problemas.
Devemos lembrar que, muitas vezes, a ocorrência de possíveis defeitos pode, numa primeira análise, indicar que um dispositivo de campo apresenta um determinado defeito, como, por exemplo, parada de comunicação, e a causa em si pode não ser o instrumento, e sim problemas de intermitência da comunicação naquele barramento. Agora, essa profundidade de análise é possível com esses dois sistemas de softwares de diagnósticos.
Portanto, recomendamos fortemente que as pessoas envolvidas nos projetos com protocolos digitais de comunicação incluam nas suas especificações esses softwares de diagnósticos: gerenciamento de ativos e de diagnóstico da comunicação nos segmentos (contendo inclusive a possibilidade de gravação da forma de onda), um detalhe de grande importância é, na especificação, ser incluída a obrigatoriedade de que a comunicação dos defeitos nos barramentos seja feita através de outro protocolo de comunicação que não o próprio barramento e o próprio protocolo em análise, pois se tivermos um problema intermitente de comunicação, o software não poderá “rodar” no mesmo segmento que ele está tentando analisar.
7- Conclusões
Como pudemos observar, os aspectos de projetos e de instalação que descrevemos nesse artigo são, na sua maioria, aplicáveis a qualquer projeto, mesmo que puramente 4-20mA. Entretanto, esses cuidados, quando negligenciados agora, em projetos com protocolos digitais de comunicação (Foundation Fieldbus, Profibus DP/PA, Device Net etc.), podem comprometer demais a confiabilidade operacional de uma planta ou unidade. Infelizmente, temos uma falta de capacitação, de conhecimento atualizado e isto acontecendo em algum ponto dessa cadeia de implementação do projeto, temos notado que ela pode acontecer no projeto conceitual, no projeto de detalhamento, na especificação e depois, na etapa de montagem, tanto pelas empresas de montagem quanto pela deficiência da supervisão de montagem.
A solução desse elo fraco da corrente tem que passar pela capacitação, pois somente com as pessoas envolvidas no projeto, tendo conhecimento dos requisitos mínimos que são exigidos para qualquer projeto de automação e principalmente com projetos com protocolos digitais, é que teremos projetos implementados com maior confiabilidade, e certamente deixaremos de escutar uma desculpa tão comum por essa falta de conhecimento: “O protocolo digital de comunicação não é confiável.”...
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
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